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* Por Paes Landim "Por que as histórias políticas, econômicas e ecológicas desses dois países que compartilham a mesma ilha são tão diferentes?.../Parte da resposta envolve diferenças ambientais." Esta reflexão de Jared Diamond se encontra na sua fantástica obra "Colapso" (como as sociedades escolhem o fracasso ou o sucesso). O capítulo 11 do livro por si só requereria a leitura por parte das chamadas elites políticas e acadêmicos do país. "Uma ilha, dois povos, duas histórias: a República Dominicana e o Haiti", quando o eminente professor de geografia da Universidade da Califórnia ensina que "os problemas ambientais afetam as sociedades humanas, mas as respostas das sociedades também fazem uma diferença". O Haiti, até meados do século XIX, foi a mais rica colônia da França no mundo, que explorava as suas madeiras à custa da mão-de-obra escrava. Os navios que vinham da França, cheios de escravos, retornavam abastecidos de madeiras para vender na Europa.
Na mesma ilha, a República Dominicana, colônia espanhola, conseguiu manter grande parte da sua integridade florestal, à mercê da própria decadência do império espanhol. Ambos os países foram vítimas da mais desenfreada corrupção. No Haiti, ela teve tamanha dimensão que, ao longo da sua história, até hoje, não conseguiu se organizar institucionalmente. O paradoxo é que o sanguinolento ditador da República Dominicana, Trujillo, demonstrou ser, em determinados momentos, um defensor do meio ambiente, além de ter tomado algumas medidas que favoreceram certo desenvolvimento do país, inclusive com a construção de represas para gerar energia elétrica. Por sua vez, a pobreza do Haiti o levou à coleta de madeira para combustível e de rios contaminados pela atividade agrícola ao longo das margens.
Isso é uma advertência para nós, piauienses, posto que, até meados do século passado, a maioria do Estado usava carvão para gerar energia elétrica. Ainda hoje, a carvoaria vive destruindo nosso cerrado e nossos rios encontram-se assoreadas e suas margens de área destruídas, exatamente como aconteceu no Haiti.
A República Dominicana deu uma lição significativa: o seu famigerado ditador Trujillo teve o bom senso de, nos anos 20 do século passado, criar uma reserva natural em torno do seu maior rio, Yaque, estabelecendo por Decreto o chamado "Vedado Del Yaque" (vedado é uma área de terra onde a entrada de pessoa é controlada ou proibida). Há mais de um ano, escrevi um artigo sobre o impressionante livro do ex-vice Presidente da República dos Estados Unidos, o Senador Al Gore (que enfrentou Bush nas eleições), sob o título "Uma verdade incoveniente". No livro, às páginas 222-223, tem uma fotografia impactante mostrando a ilha espanhola. Os dois cenários, na mesma linha geográfica. Onde fica a República Dominicana, floresta ainda exuberante. Onde fica o Haiti, destruição total.
Essa é a razão porque 30% das florestas do antigo lado espanhol da ilha, e onde fica a República Dominicana, está preservada. E no Haiti, somente 1% das terras florestais está preservado. Aliás, o pensador Paul Kennedy, no importante livro escrito, na década de 90 do século passado, "Prèparer le Siécle XXI", já escrevia que milhares e milhares de haitianos fugiram de seu país por causa política, mas sobretudo porque os fazendeiros "eliminaram as florestas", esterelizando as terras para o trabalho agrícola.
O escritor e pensador mexicano Carlos Fuentes, em artigo escrito no jornal espanhol "El Pais", desta última quinta-feira, 21 de janeiro, escreveu que ao falar do Haiti não se sabe o que é mais grave: a impureza política ou a impureza ambiental. *Paes Landim é deputado federal
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