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* Por Cristiane Brasil
Aos poucos, a sociedade vai se dando conta de que não é mais jovem quanto era até alguns anos atrás. Na verdade, o processo de envelhecimento da população brasileira é o mais rápido do mundo. E alguns números mostram esta realidade. Em 1960, por exemplo, o País tinha apenas 3 milhões de idosos. Dez anos depois, este número passou para 7 milhões. Em 2002, 15 milhões. Ou seja, um aumento de 500% em quarenta anos. E o que motivou este quadro foi basicamente o aumento da expectativa de vida somado à diminuição dos índices de natalidade da população. E, para satisfazer as demandas de condições de vida digna necessárias a esta parcela da população, que a cada dia cresce mais, a sociedade se depara com enormes desafios. Para tanto, de início, é importante destacar que a responsabilidade pelas transformações deve ser compartilhada não só pelo Poder Público, mas, e principalmente, pela sociedade, representada por suas organizações e também pela família. Alguns avanços e conquistas são marcantes neste início de século, o que evidenciam uma mudança de postura – ainda tímida, porém irreversível – que, com certeza, vem contribuindo para se reverter toda uma história de abandono da Terceira Idade. Com relação à legislação, o Estatuto do Idoso foi um desses avanços, pois este conjunto de normas criminalisou atos de agressão, abandono e desrespeito contra os idosos. Outra mudança importante foi o fato de as autoridades despertarem para a necessidade do uso da educação pública, como instrumento fundamental, no sentido de preparar a população infanto-juvenil para um envelhecimento com qualidade de vida, utilizando-se, para isto, métodos de prevenção. Também o mercado produtivo não ficou alheio à realidade do aumento acelerado da população com mais de 60 anos. Quanto a isto, é importante destacar a iniciativa das empresas que têm proporcionado diversas oportunidades de emprego, onde a experiência acumulada tornou-se fator determinante na reinserção do idoso no mercado de trabalho. Trata-se de uma mudança de postura dos empresários, que voltam suas estratégias mercadológicas ao público consumidor da melhor idade. Talvez a mudança mais radical, no enranto, tenha sido a da mídia, que diminuiu a massificação da cultura da juventude eterna, tratando com mais responsabilidade social e humana os milhões de brasileiros de cabelos brancos, num reconhecimento tardio, porém fundamental, para mudarmos a cultura discriminatória para com os idosos. São novelas, programas e reality shows, que tratam o tema "idoso" com mais dignidade e menos preconceito, enaltecendo, principalmente, métodos preventivos de saúde para a melhoria da qualidade de vida na Terceira Idade. Por fim, considero que todos estes avanços são exercício puro de cidadania, proporcionado, principalmente, pelo ambiente democrático e de direito em que vivemos, cuja preservação é responsabilidade de todos brasileiros, principalmente daqueles que consideram que juventude é estado de espírito, independente da idade. * Cristiane Brasil é Presidente Nacional do PTB Mulher e Secretária de Envelhecimento Saudável e Qualidade de Vida da Prefeitura do Rio de Janeiro
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